textos

diárias de bordo

Arte em tempo de coronavírus (327)

Arte em tempo de coronavírus (327)
13/06/2020

Este período de pandemia tornou-se um tempo de máscaras, que, é claro, são bem mais antigas que a atual crise. Estão presentes, por exemplo, no Antigo Egito, cerca de 664-535 a.C., sendo colocados no rosto dos falecidos para que o espírito, se assim lhe fosse permitido após ser julgado no mundo dos mortos, encontrasse o seu corpo embalsamado.

No Carnaval, que ocorre antes da Quaresma, as máscaras eram tradicionalmente usadas para que a pessoa perdesse a sua individualidade cotidiana e se misturasse na festa coletiva. Em “Máscaras venezianas”, Lídia Leite, de Olinda, PE, mescla elementos da festa da cidade europeia com os do frevo.

A pintura alude aos trajes do século XVIII, com as célebres “maschera nobile” (“máscaras nobres”), originalmente caretas brancas usadas com roupas de seda negra, que depois ganharam mais cores. Na parte inferior do quadro, estão figuras geométricas coloridas que remetem à sombrinha, ornamento que mais caracteriza o passista do frevo.

Dança do século XIX cujo nome provém de uma corruptela do verbo “ferver”, por ter um ritmo acelerado, o frevo é a música típica do carnaval de Pernambuco e conquista fãs por todo o país. Tomara que, em breve, as máscaras voltem a ser apenas adorno de Carnaval, e as sombrinhas possam ser portadas sem medo pelos passistas a percorrer as ruas de Recife e Olinda. Livres da pandemia, Itália e Brasil poderão prosseguir suas histórias.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br