textos

diárias de bordo

Arte em tempo de coronavírus (326)

Arte em tempo de coronavírus (326)
13/06/2020

A arte é uma maneira de mergulhar em outra dimensão. Se, por um lado, ela nos retira do mundo real, nos introduzindo no imaginário; por outro, nesse movimento, propicia que olhemos para os mais diversos aspectos do entorno, como se fossem fantásticos, ou seja, portais para ciar algo melhor ou pior do que se vê.

A obra “Na falta de internet, banho de açude”, de Julio Firmo, de Feira de Santana, BA, propicia literalmente essa entrada em um universo paralelo. O trabalho se fortalece ainda mais neste período de pandemia, em que existe uma nostalgia pela vida em contato direto com a natureza e com as pessoas queridas.

A imagem ganha assim a conotação de um Paraíso perdido. Destaca-se na pintura a maneira de lidar com os tons verdes e azulados de modo a criar uma atmosfera muito agradável de ser vista. A pincelada utilizada nas folhas das árvores e na água que espirra do mergulho das pessoas revela um domínio do fazer artístico a serviço de uma peculiar e lírica expressão.

Julio Firmo recria assim um mundo sem internet e redes sociais, em que o contato com os elementos da natureza se configura como uma resposta ao mundo contemporâneo e às suas dores existenciais. O artista, estabelece, com recursos técnicos de ampla delicadeza, um clima de harmonia e equilíbrio, um idílico espaço em que o ser humano era feliz e não sabia.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br