
Bacharel e Licenciado em Artes Visuais pela Unesp e pós-graduado em Projetos Culturais pelo Senac, Eri Alves vem desenvolvendo um trabalho que tem, entre as suas linhas de pesquisa, uma jornada pela arte popular, principalmente pelo universo das tramas diversas com fios e linhas em que o crochê com lãs coloridas e de diversas gramaturas é fundamental.
Na obra Vírus (2013 – 2020), o artista vale-se da técnica japonesa conhecida como “amigurumi”, utilizada para fazer bonecos de crochê ou tricô, geralmente com formas humana ou de animais. O termo provém dos vocábulos japonese “ami”, que significa “malha”, e “nuigurumi”, que significa “boneco de pelúcia”.
O fascinante é que os “bonecos” de Eri Alves traduzem visualmente a percepção que temos do novo coronavírus como seres assustadores, invisíveis, prontos a atacar. Ao mesmo tempo, pela presença das cores e dos tamanhos irreais, dão vontade de brincar e de tocar, o que os faz ficar bem mais perto de nós.
A mecânica do conjunto é então intrigante, pois lida com essa ambiguidade, entre o que se odeia e o que se ama. É instituído assim um jogo visual e simbólico entre morte e vida: aquele que mata também é aquele com o qual podemos realizar o lúdico desejo de integração. Isso mostra o grande potencial da arte: tudo transforma com um mágico toque de criatividade.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br