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Arte em tempo de coronavírus (322)

Arte em tempo de coronavírus (322)
13/06/2020

Perante o confinamento indicado como maneira de enfrentar e reduzir o contágio da COVID-19, fala-se cada vez mais da necessidade de descobrir uma vacina que possa imunizar a população e, de fato, reconduzir a sociedade para uma vida que possamos considerar normal. Além disso, para os que estão doentes, a cura é fundamental.

É esse desejo que a obra de Parísina Ribeiro aponta. Há neste trabalho alguns elementos de ampla riqueza simbólica. Um deles é a presença da pomba. A ave é associada ao Espírito Santo, porque, quando Jesus foi batizado, o espírito de Deus teria descido sobre ele na forma de uma pomba, tradicionalmente ligada à cor branca da paz.

O coração vermelho e a pomba branca estão ligados à Festa do Divino Espírito, uma das mais antigas e populares práticas do catolicismo. A crença de que o coração é a residência do espírito e do intelecto, porém, existe desde o Egito, onde era pesado no mundo dos mortos. Quando era mais leve que uma pena de avestruz, permitia o retorno do seu dono à vida.

Parísina Ribeiro expressa a busca pelo restabelecimento da saúde por meio de um tratamento. Curar-se, de certa maneira, é regenerar-se. É isso que o coração com a pomba do Espírito Santo indica. Que as chamas divinas do Universo, a grandiosidade da Natureza e o infinito do Céu permitam que essa cura chegue em todas as casas o quanto antes.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br