
A metáfora da borboleta que consegue voar com suas belas asas coloridas após ter ficado na forma de larva no casulo, imóvel, na escuridão, é uma metáfora que ganhou muita força no período de confinamento. O isolamento social foi entendido por muitos exatamente como um período de mergulho interior, não só por questões sanitárias, mas também simbólicas.
A pintora Ivone Teixeira Carvalho partiu de um episódio real, a presença de uma lagarta no portão de sua casa, para compor a imagem deste post. É significativo observar como os artistas visuais desempenham esse papel de funcionarem como sensíveis antenas, prontas a captar, no mundo que os rodeia, elementos cotidianos que transformam em jornadas visuais.
O assunto das borboletas já é de interesse da artista, que, na presente obra, lida com diversos momentos da vida do inseto, seja como lagarta, como larva no casulo ou com a sua aparência majestosa, que encanta pela beleza e delicadeza. O encantamento visual do trabalho se dá ainda, em boa parte, pela maneira como o fundo dourado é trabalhado.
Se a borboleta está de um lado da grade, onde a lagarta e o casulo permanecem; do outro lado, existe uma atmosfera em que predominam a tonalidades de amarelo. Aparentemente, há algo maior e melhor lá fora e, quando houver condições de saúde pública consideradas adequadas, será a hora de aproveitar tudo que o mundo externo oferece de bom!
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br