
A diversidade de reações perante o confinamento imposto pela COVID-19 encontra uma rica expressão visual na obra de Carlos França. Este artista, nascido em Rio Tinto, PB, consegue nos proporcionar uma peculiar análise sociológica das diversas situações que se instauraram com o isolamento das pessoas em suas casas.
Com os veículos guardados nas garagens e ruas vazias, a não ser pela presença de cães, gatos e pombos, as pessoas passam a se manifestar de diversas maneiras. Existem os solidários que oferecem café aos vizinhos, os que se dedicam a cuidar das plantas e os que soltam pipas reais ou simbólicas pelas janelas, almejando a liberdade dos pássaros.
A imagem mostra bem a dificuldade de enfrentar o confinamento. Há pessoas com gestos que indicam atitudes depressivas, famílias apertadas em um espaço minúsculo, idosos frustrados por não poderem sair e conviver com a família e um sentimento generalizado de frustração perante um inimigo invisível que literalmente fez o mundo parar.
O maior mérito da obra de Carlos França está em construir esse painel psicológico e existencial com seu conjunto de rostos próximos das janelas. Perante uma realidade em que as cidades ganharam aspectos inimagináveis, o isolamento trouxe a necessidade de cada um conversar muito com si mesmo. O que nem sempre é fácil ou prazeroso.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br