
A árvore é um dos símbolos mais importantes da humanidade. Aparece nas mais diversas mitologias e com muitos sentidos. A principal característica é ela estar associada com três universos: as raízes mergulhadas na terra, o tronco que dá sustentação e os galhos, flores e frutos que conquistam o espaço.
Nessa concepção, a obra “Árvore daninha”, de Wander Melo, de Rondonópolis, MT, realizada com tinta acrílica sobre papel, ganha uma ampla riqueza de interpretações. Temos uma frondosa árvore – em meio a casas, prédios e um avião –, em cuja copa aparecem representações do novo coronavírus.
Os microrganismos surgem como frutas, mas não estão apenas na parte superior. Também se fazem presentes na parte inferior, evidenciando que a pandemia se espalha em todas as direções. Merece destaque como o artista lida com as cores para atingir o efeito desejado, pois o vermelho do fundo do céu dialoga com os temidos seres transmissores da doença.
Fica assim instaurado um panorama em que a árvore domina o espaço como força disseminadora da COVID-19. As perguntas que surgem são o que vem sendo feito e poderá ser concretizado pera que ela não cresça e se multiplique ainda mais. As tonalidades quentes e as linhas retorcidas de Wander Melo nos transmitem agonia para encontrar uma resposta.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br