
A solidão talvez seja um dos sentimentos mais difíceis de lidar perante dificuldades de qualquer ordem, principalmente quando se trata da área de saúde. A presente pandemia trouxe para o cotidiano de boa parte da população um isolamento social que pode ser vivido, em famílias maiores, na dificuldade de dividir espaços.
Mas existem aqueles que vivem sós. Nesses casos, não poder sair da residência traz uma série de consequências de ordem psicológica. A vida social, com familiares e amigos, ficou prejudicada e conviver consigo mesmo por tanto tempo, apenas com intermediações eletrônicas, via celular, pode não ser tão agradável quanto se poderia imaginar inicialmente.
A obra “Solidão”, de Ruy Relbquy, de Quixelô, CE, consegue resumir diversos sentimentos dessa ordem em uma mesma imagem. A mulher retratada de costas observa pela janela uma cidade plena de edifícios, mas sem pessoas visíveis. É estabelecida uma atmosfera de vazios, abandonos e desesperanças.
As flores vermelhas, assim como a blusa da protagonista; e o vaso e o vestido do mesmo azul e branco apenas com inversão da relação figura/fundo, estabelecem um diálogo cromático interno que acentua que a obra se basta em sim esma, como se também estivesse isolada do mundo externo. Que a arte, como esta de Ruy Relbquy, ajude a preencher a solidão.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br