
Ao refletir visualmente sobre a atual realidade do novo coronavírus, da COVID-19, da pandemia e do isolamento social, Arivanio Alves, de Quixelô, CE, realizou um desenho que representa uma pessoa com uma máscara em forma de bico de pássaro, bastante comum no combate à peste negra, que, no século XIV, vitimou cerca de 50 milhões de pessoas.
A indumentária foi criada por Charles de Lorme, médico da realeza francesa no século XVII, perante o retorno da pandemia. Seu raciocínio seguia o pensamento da época que as doenças infecciosas tinham a sua origem nos miasmas, ou seja, nos odores fétidos que vinham de matéria orgânica em putrefação e da água contaminada.
Seria isso que desequilibraria os fluidos corporais do paciente. Por isso, acreditava-se que perfumes fortes poderiam proteger da peste e que as máscaras na forma de bico, preenchidas com teriaga, uma combinação com mais de 55 ervas e outras especiarias utilizada desde a Grécia contra envenenamentos, atrasaria a chegada do ar contaminado ao nariz dos médicos.
No século XIX, foi comprovado que a peste negra, cujo nome provém das manchas dessa cor no corpo, era causada por um microrganismo, combatido por antibióticos. Assim, a máscara passou a ser usada apenas na “commedia dell’arte” e no carnaval italiano. Perante a COVID-19, sem remédio ainda, novas máscaras surgiram. Arivanio nos faz refletir sobre tudo isso...
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br