
As relações que as pessoas têm com o confinamento varia muito. Vão desde um desespero quase irracional a um progressivo entendimento que talvez a parada obrigatória por motivos de saúde individual e pública possa ser o momento mais adequado para repensar a própria existência humana e, por consequência, a sua relação com o mundo.
Elyethe Marinho, em "Lições de vida", trata a questão sob um foco voltado para elementos presentes no universo da natureza. Toma dois seres, um urso-negro e borboletas, como motivos essenciais de sua reflexão. Embora diferentes em quase tudo, a começar pelo tamanho, apresentam uma mesma característica: passam parte de sua vida reclusos.
Os ursos-negros para enfrentar o frio e a escassez de alimentos do inverno do hemisfério norte, passam entre 5 e 7 meses do ano sem beber comer, urinar ou defecar. Já a lagarta, fica como larva, no casulo, de uma semana a um mês. Quando se torna borboleta, com suas belas asas coloridas, sai do abrigo e consegue voar, tendo apenas alguns meses para se reproduzir.
Na imagem de Elyethe Marinho, o urso e sua caverna surgem em ocre, enquanto a lagarta, o casulo e a borboletas aparecem em azul e amarelo. Após o seu isolamento, uma nova vida se descortina. O inseto, passando a voar, até muda a sua perspectiva de ver o mundo. Quem sabe nós conseguiremos fazer o mesmo em breve...
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br