
Época de confinamento é período de reflexão. E imagens podem ajudar nisso. São uma forma de interpretar e de dialogar com o mundo. Entre o criador, a obra e o público existe uma misteriosa relação, que se aprofunda nas criações plásticas que atingem a universalidade, quando o mais profundo do ser individual encontra o coletivo.
Cris Campos cria um momento de pensamento visual ancorado em um momento arquetípico. A redoma, nesse sentido, possui diversas referências que alimentam o nosso imaginário. Incluem desde a ideia de proteção dos males à imagem da rosa ali guardada no recente filme “A Bela e a Fera”. A relação, porém, é de um complexo diálogo entre a vida e a morte.
Aparentemente estar na redoma do confinamento seria uma forma de se manter seguro, tanto que a menininha da obra até retirou a máscara do rosto. Porém o corvo, pássaro tradicionalmente associado às trevas, está ali, à espreita, como ameaça. O que caracteriza o trabalho de Cris Campos, assim, é a delicadeza ao tratar de um tema denso.
A pandemia e o isolamento são, sem dúvida, assuntos de profundas implicações individuais e coletivas. Geram variados sentimentos em relação ao que vem ocorrendo e despertam inseguranças quanto ao futuro, um chamado “novo normal” que ainda não sabemos o que será, mas que deve ser bem diferente do passado.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br