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Arte em tempo de coronavírus (296)

Arte em tempo de coronavírus (296)
07/06/2020

Quando se pensa nas pessoas afetadas pela pandemia, tanto as que faleceram quanto as que contraíram a COVID-19 e se recuperaram, existe um clamor por estatísticas. São números que dominam os telejornais e as falas das autoridades. É claro que dados são essenciais para tomar medidas administrativas, mas não podemos esquecer que cada algarismo é um indivíduo.

Arivanio Alves, de Quixelô, CE, coloca a questão, em seu trabalho visual, dentro de uma perspectiva muito mais humana. Ao pintar um Cristo sobre fotos 3x4 de pessoas que representam as muitas vítimas da doença, reforça a mensagem de que cada indivíduo é um universo a ser respeitado.

Cada pessoa tem dezenas que giram em volta dela. E os que permanecem vivos sofrem. E esse sofrimento não pode ser quantificado em uma planilha, em uma tabela ou em um gráfico comparativo. Cada vida perdida é uma narrativa marcada pela perda, que se sente e que dura, sendo assimilada de diversas formas.

O luto é a presença de uma ausência. Os rituais de velório e enterro, atualmente interrompidos para evitar a contaminação, tornam a experiência da perda ainda mais dura. A imagem de Arivanio, nesse sentido, nos ajuda a realizar uma catarse da dor coletiva e a homenagear aqueles que a pandemia ceifou.      

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br