
Tempos de novo coronavírus, COVID-19 e pandemia obrigam a ressignificar. O termo pode ter diversas interpretações, principalmente em arte contemporânea, mas prefiro utilizar aqui o que está relacionado com o conceito de que um determinado objeto passa a ter um outro uso e sentido em uma nova realidade.
É justamente o que Ricardo Cherbeluka realiza neste trabalho. A figura de um homem mascarado poderia estar vinculada a ações terroristas ou manifestações de protesto. Seria alguém que não desejava mostrar seu rosto para se esconder da sociedade por realizar algo considerado proibido. Atualmente a imagem ganha uma outra dimensão simbólica. A máscara protege do microrganismo que causa a doença. Colocá-la em ambientes públicos é uma maneira não só de se salvaguardar do mal, mas também de cuidar dos outros, principalmente das pessoas com as quais se convive diariamente de forma mais próxima, dentro de casa, por exemplo. A atmosfera sombria e as tonalidades rebaixadas colaboram para criar uma atmosfera evocativa de guerras e conflitos urbanos. De fato, estamos vivendo uma batalha contra um ser invisível e poderoso que ataca pessoas por onde se dissemina. Causa mortes e crise. Tomara que, com a descoberta da cura e da vacina, máscaras de nenhuma espécie sejam necessárias. Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br