
Tornar o particular em algo universal é uma das magias da arte. Outra é ver a natureza como uma manifestação de sabedoria. Observar o movimento da vida, em seu nascimento, existência, morte e recomeçar, seria uma universidade a céu aberto. Mas, para fazer esse curso, é necessário estar com a capacidade de perceber sempre aberta.
Lia Freitas desenvolveu essa aptidão. Nos trabalhos que vem realizando nesta pandemia, nos oferece a possibilidade de participar de uma mágica sincronia com aquilo que o mundo está atravessando. Os marimbondos são a metáfora utilizada para observar o desafio que o planeta enfrenta.
Inicialmente, os insetos estavam fechados em seus casulos, em seu período de maturação. Seguros, protegiam-se de um mundo em que não havia espaço para eles. Progressivamente, começaram a sair, livres para formar novas comunidades. Nesse dinâmica, o ciclo prossegue seu curso natural, apesar de percalços, dores e sofrimentos.
Afinal, os marimbondos, assim como as abelhas, são insetos sociais, ou seja, trabalham em conjunto em colônias. Auxiliam ainda na reprodução de muitas plantas, transportando, em suas jornadas áreas, grãos de pólen essenciais para o prosseguir da vida. Ao continuarem a sua jornada, como mostra Lia Freitas, nos inspiram a prosseguir a nossa.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br