
O isolamento social vem sendo a maneira como a maioria dos países vem enfrentando o coronavírus, COVID-19 e a pandemia. Ficar confinado em casa como forma de proteger a si mesmo e aos outros é uma atitude que se tornou uma tentativa de barrar a disseminação da doença.
E, ao se estar privado da liberdade, o maior desejo é de voar. A vontade é de conquistar um espaço que não pode ser usufruído quando é necessário ficar em casa. A representação da ausência de movimentação tem sua contrapartida em trabalhos visuais como o de Julianna Vidnik, em que temos uma linha de horizonte em destaque como alvo de nosso sonho.
O encontro entre o céu e o mar funciona, portanto, como um local mítico em que tudo é possível, já que é desconhecido. Significativamente, quanto mais nos aproximamos desse lugar mítico, mais ele se afasta. Funciona como o pote de ouro no fim do arco-íris, igualmente fascinante por ser inatingível.
Além do horizonte, as gaivotas voando e a intensidade do amarelo auxiliam a idealizar esse local glorioso. O cenário convida a pensar e a acreditar num amanhã melhor em que estar em uma praia, sem medo de ser contaminado por uma doença, vendo e se maravilhando relaxadamente com o pôr-do-sol, possa voltar a ser um cotidiano ato feliz.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br