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Memórias afetivas

Memórias afetivas
05/06/2020

Memórias afetivas

Toda manifestação artística tem a inigualável capacidade de transmitir uma interpretação do mundo. Goiana de Caçu radicada em Uberlândia, MG, Lionizia Goyá vem desenvolvendo um trabalho visual em que homenageia mulheres e homens, geralmente escritores, sejam personalidades ou amigos que a ajudam a encontrar caminhos vivenciais enriquecedores.

Trata-se de um ato de doação plástica e intelectual, porque, ao se debruçar sobre o outro, é necessário um trabalho que engloba duas vertentes: a pesquisa intelectual sobre o homenageado e a carga emocional que se faz presente em cada resultado final. Ambas são essenciais. Não há aí uma hierarquia de importância, mas uma complementaridade.  

A questão essencial é como se dá a representação de modo a se ter uma produção cultural que seja sensível e significativa enquanto obra de arte. O desafio não é simples, seja nos óleos sobre tela que trazem personagens masculinos ou nos femininos, em que há também assemblages, com colagens de tecidos, rendas, bijuterias e outros objetos usados.

O intelecto e o emocional caminham lado a lado e se mesclam. Nesse sentido, falar do outro é, acima de tudo, provocar um sutil encontro com si mesmo em busca de contínuo aperfeiçoamento existencial. Escolher quem se quer bem e realizar a homenagem constitui uma sutil e poética jornada por memórias afetivas individuais e coletivas.  

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br