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Arte em tempo de coronavírus (282)

Arte em tempo de coronavírus (282)
04/06/2020

As reações à realidade impostas pelo novo coronavírus, pela COVID-19, pela pandemia e pelo isolamento social faz com que surja todo um diferente pensamento visual para conviver com essa realidade. O artista Euzebio Ribeiro, por exemplo, realiza, com carvão vegetal, uma obra que reúne diversos aspectos de um mundo peculiar que começou a nos cercar e preencher.

A imagem central é a duas cabeças humanas, de perfil, colocadas uma sobre a outra, de cujos olhos brotam sutis lágrimas. Sobre elas, é colocada uma cadeia de DNA, a nossa estrutura genética, onde está, de certa maneira, impresso nosso destino, já que ali residem as fortalezas e fraquezas que nos acompanham desde o nascimento.

Os coronavírus, o grito de socorro (SOS), com a letra “O” desenhada na forma do microrganismo, caixões estilizados, a gaiola em referência ao confinamento, marcadores de temperatura e um morcego associado à origem da doença na China complementam um panorama dos diversos aspectos da doença e como eles afetam o nosso imaginário.

Pensar a obra de ponta-cabeça, como ficam os morcegos, é, de certa maneira, uma metáfora de como o nosso mundo está após a instalação da pandemia. Há uma necessidade de reverter conceitos e, assim como o morcego fica parado nessa posição para ganhar maior impulso para voar, nossa civilização talvez precise passar por este momento para alçar voos maiores.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br