
Época de quarentena é um período de interromper a dinâmica habitual da vida. A correria física cede espaço a uma parada que pode, dentro da rotina de cada um, ser aproveitada para diversas atividades que, mesmo que antes fossem praticadas, poderiam ficar negligenciadas. Há os que leem, os que escrevem, os que cantam, os que tocam instrumentos e o que pintam.
O ato de dar a ideias que estão na cabeça uma forma visual é um exercício que demanda um sucessivo aperfeiçoamento. Não é simples nem fácil, mas também não precisa ser visto como um desafio de inatingível complexidade ou de dificuldade atroz. Levar uma imagem, que é uma visão de mundo, para uma concretude visual é a junção de inteligência com sensibilidade.
Tião Fonseca nos oferta a sua visão da realidade com intensidade de cores. Feito com guache, o trabalho apresenta numerosas cores que são colocadas lado a lado num exercício visual de ampla riqueza, que transmite paz, equilíbrio e harmonia, uma ordem que muito se busca e que raramente se consegue em termos plásticos e existenciais.
Quando se observa um quadro desses, desejamos que o tempo pare. A felicidade é captada em um pequeno instante, como se a faísca de nossa existência pudesse durar para sempre. Trata-se de uma doce ilusão que quadros como o de Tião Fonseca prolongam, fazendo que, momentaneamente, esqueçamos o difícil momento que atravessamos.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br