
Poucas frases vêm sendo tão utilizadas atualmente como “Vai Passar”. Esse é justamente o título do trabalho do mineiro Henry Vitor que ilustra este post. A imagem torna-se praticamente uma síntese de seus trabalhos no sentido de mostrar sua técnica cuidadosa e aprimorada, na qual cada detalhe é um universo de intenso lirismo.
A figura do espantalho abraçando o mundo instaura um clima onírico de idealização da vida. As casas, as árvores, as estrelas, os balões, tudo colabora para estabelecer um mundo ideal em que a felicidade perdida possa ser recuperada e a que não existia encontre espaço de construção. O planeta poderia assim retomar a sua história.
As áreas de pintura da roupa do espantalho, que aludem aos retalhos de sua vestimenta, evocam o conceito de universalidade pela multiplicidade das cores. A atmosfera que surge é a de um mundo mágico em que tudo se torna possível. Essa maneira de representar uma utopia de harmonia, paz e união faz com que a nossa esperança e fé no futuro permaneçam.
O amor que Henry Vitor dedica ao seu trabalho torna todo impossível em algo possível. “Vai passar” aponta justamente para um futuro melhor que o presente, pois uma nova realidade pode surgir de uma fase de intensa crise. O que a arte dele sempre nos ensina é que a capacidade humana de se recriar é infinita.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br