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Arte em tempo de coronavírus (271)

Arte em tempo de coronavírus (271)
02/06/2020

Ainda existem algumas pessoas que têm certa resistência em relação à arte digital. Argumentam, muitas vezes, que ela seria mais fria do que aquelas produções que se utilizam de pinceis e tinta. Esse tipo de comparação geralmente não é muito justa nem precisa, pois são recursos criativos distintos.

Em arte, talvez como na vida como um todo, admitir que não existe melhor ou pior, mas sim diferenças, pode ser um árduo exercício. Essa humildade em relação à vida vem sendo praticada por muitos durante o isolamento social que a quarentena impõe. Há os que preferem dedicar tempo ao que já faziam – e outros que buscam novos desafios.

Marcio França é um dos que partiu por uma nova vereda, aprendendo a tocar clarinete. A sua homenagem visual é para o carioca e mestre do choro Pixinguinha (1897 - 1973), que, além de compositor, maestro e arranjador, tocava flauta e saxofone, tendo, como uma de suas obras mais famosas, “Carinhoso” (1916 – 1917), que recebeu versos de João de Barro.

A imagem utiliza recursos visuais que a aproximam do grafite, com a presença de diversos tipos de letra, e da liberdade das estampas de camiseta. Feita digitalmente com competência, indica que sempre é tempo de aprender. Imagine se o clarinete de Marcio encontrasse o saxofone do mestre do choro para uma sessão atemporal de “Carinhoso”...

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br