
Época de isolamento social é convidativa ao silêncio. Conjuntos de moradias, sejam rurais ou urbanos, adotaram características muito diferentes. Parece que o universo parou de se mover por algum tempo para absorver a quantidade de acontecimentos e de dados que alteraram nosso cotidiano. Estamos sendo obrigados a reaprender a viver em sociedade.
Nascido em Natal, RN, e radicado em João Pessoa, PB, Guariguazi oferece um trabalho que se torna justamente a representação visual de um tempo estático. Esse efeito é conseguido, em boa parte, pela maneira como diversos elementos plásticos são trabalhados. A conversa visual estabelecida entre os triângulos e quadrados contribui muito para a ideia de paralisia.
A imagem parece ser a de um tempo interrogativo e desafiador. O sol e as copas das árvores são os únicos elementos circulares nesse contexto e contribuem ainda mais para criar uma oposição entre as linhas retas inanimadas e a sinuosidade própria da natureza. Está criada uma atmosfera que nos convida a olhar a obra atentamente.
O uso da cor por Guariguazi gera uma atmosfera densa, atenuada pelas silhuetas das asas de pássaros no céu azul. Já os retângulos verticais brancos auxiliam a equilibrar a horizontalidade da pintura como um todo, com uma misteriosa igreja ao centro sobre a qual um retângulo e um triangulo se erguem, num processo geométrico que amplia a riqueza da composição.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br