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Arte em tempo de coronavírus (266)

Arte em tempo de coronavírus (266)
01/06/2020

O conceito de quarentena, devido à pandemia causada pelo novo coronavírus, se espalhou pelo mundo. Algo que parecia impossível de acontecer transformou-se no cotidiano da vida de pessoas das mais diferentes nações – e as reações, em alguns aspectos, são visualmente semelhantes embora as pessoas confinadas estejam a muitos quilômetros de distância.

A artista Oana Cătănoiu, na Romênia, traduz a sua visão dos fatos contemporâneos em uma tela em que predominam as tonalidades do verde e do vermelho rebaixados. Os olhos, o vestido da moça protagonista e da que está no retrato, a parede e a cortina colaboram para construir uma atmosfera de frieza vivencial e de isolamento.

A janela está aberta, mas as ruas mostram ruas vazias, e as janelas, em que o verde também se faz presente, surgem vazias. A folhinha marca o mês de maio e o relógio sobre uma cômoda aponta para a passagem do tempo, que se tornou aparentemente bem mais lenta no período em que fomos todos obrigatoriamente convidados a olhar para dentro de nós mesmos.

A mulher que nos observa transmite um misto de melancolia e tédio. Consegue assim representar aquilo que a quarentena trouxe e traz para muitos: um sentimento de solidão imensa, profunda e densa, muito bem representada na mesa com apenas um prato e na composição que revela uma figura a se consumir de tristeza num vácuo existencial.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br