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Arte em tempo de coronavírus (259)

Arte em tempo de coronavírus (259)
31/05/2020

Não há dúvidas de que, no presente momento da pandemia no Brasil, a ênfase deve estar na saúde física e mental dos cidadãos, ameaçados de contrair a COVID-19 ou com dificuldades para lidar psicologicamente com o prolongamento do confinamento social, que traz numerosas alterações no cotidiano de cada um.

Há, no entanto, uma dimensão da vida essencial, a das relações afetivas e sexuais, que não pode ser negligenciada. Quando se entra nesse universo, passamos a percorrer um labirinto de delicadezas de difícil e complexa ponderação, pois cada ser humano reage de maneiras distinta ao que sente em termos de elos com as outras pessoas.

A presença, na obra de Lilian Morais, de uma pessoa (em quadriculado preto e branco, ou seja, com todas suas ambiguidades à mostra) mexendo em uma caixinha de guardados ilustra um momento em que, perante um futuro incerto, revisitar as nossas memórias, sejam físicas ou mentais, é um caminho.

Gavetas abertas seguem nessa mesma direção. Afinal, nosso cérebro funciona mais ou menos dessa forma, como um grande HD a ser desvendado. Retomar o passado, quando o que virá é mais desconhecido do que poucas vezes em nossa história recente, pode ajudar. Mas ficar preso no ontem pode estagnar a construção de um amanhã emocionalmente saudável.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br