
Descortinar os aspectos animais da alma humana. Parece ser essa a função da pintura de Aisar Jalil Martínez. Cubano de origem libanesa radicado em Miami, EUA, ele desnuda os sentimentos mais viscerais de cada um de nós, apresentando personagens que brotam do inconsciente.
Talvez seu maior mérito visual seja levar a uma reflexão – pela pincelada gestual e precisa, tanto no uso do preto e branco como no das tonalidades de cor – certeira que a capa de humanidade que insistimos em usar é apenas uma máscara para sentimentos instintivos e viscerais que vêm de nosso baixo ventre e de nossa mente.
A expressão dos olhos, sempre à espreita (talvez mais uma comprovação de que a civilização está no atual estágio pela falta de civilidade de nossa essência), e a diluição das fronteiras entre o chamado real e o considerado imaginário abre um portal de liberdade a quem penetra em seus quadros.
Entrar nas imagens do artista é percorrer um mundo de incertezas e possibilidades. Abandona-se a razão cartesiana para conhecer uma galáxia de interrogações sobre as forças que motivam a prosseguir nossa jornada existencial. Como o artista mostra, dominar seus monstros e transformá-los em imagens é uma talentosa prova de resistência, persistência e sobrevivência.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br