
“Os invisíveis”, obra de Ge Guevara, traz para discussão a miséria social, algo que existia, é claro, antes da pandemia, mas que parecia estar adormecido como causa social, embora o seu combate seja fundamental para uma nação se entender como desenvolvida. O fato é que o número de moradores de rua e de subempregados já era uma realidade antes da pandemia.
Isso se agrava no presente momento. A artista coloca dois cães e um homem negro na mesma posição fetal na calçada. Essa ideia de falta de abrigo e de abandono social é a mais importante de uma imagem que lança seu alerta para que, de fato, se possa pensar numa sociedade melhor em um futuro próximo.
Assim como buscamos a posição em que estamos no ventre de nossa mãe para nos proteger de agruras físicas ou psicológicas, os personagens do quadro precisam superar, para sobreviver, o político que está com sua propaganda para ser eleito no poste e as pessoas que simplesmente os ignoram, como se não existissem.
Cada vez que se vira o rosto para um necessitado se dá um passo atrás na direção da construção de uma sociedade melhor. Isso está além da pandemia. Trata-se da chamada normalização da violência e da miséria. Se acreditamos que ela é normal, não a olhamos. E se não a enfrentamos, a ignoramos. É isso que queremos para nosso futuro?
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br