
A interação entre as palavras e as imagens tem muitas características, soluções e, acima de tudo, desafios. Existem alguns aspectos que o artista precisa levar em conta. O principal certamente é decidir se ele prefere que a palavra domine a cena ou se essa predominância será da imagem. Também é possível – e mais difícil – buscar um equilíbrio.
Cada passo que se dá no processo criativo é uma conversa do artista consigo mesmo e com a imagem para buscar a melhor solução. As veredas são complexas e tortuosas porque não há uma resposta correta ou verdadeira. Cada obra é o resultado daquilo que o seu criador deseja fazer – e aquilo que ele efetivamente consegue.
O trabalho de Elisabete Priedols que acompanha este post traz uma série de vocábulos muito presentes nestes meses de COVID-19. São utilizadas diferentes tipologias e cores para compor um rosto feminino – e nele temos desde “ciência” e “resistência” a “complacência”. A diversidade visual, que evoca do grafite de rua ao manuscrito, interroga.
Ao gerar perguntas, as manifestações artísticas atingem o seu ápice. A presença de texto junto à imagem pode valorizar ambos desde que a conversa instituída seja em função de algum objetivo maior, de preferência a reflexão do observador. Se, ao entrar em contato com um grande número de palavras, quem as vê se sentir motivado a pensar, o objetivo foi atingido.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br