textos

diárias de bordo

Arte em tempo de coronavírus (211)

Arte em tempo de coronavírus (211)
30/05/2020

O mundo fascinante das artes plásticas se caracteriza pela capacidade de cada um exercer a sua capacidade de olhar de diversas maneiras. Uma flor, por exemplo, aparentemente simples em sua jornada de nascer, viver e morrer na natureza, pode tornar-se um outro elemento devido ao modo como a olhamos.

É o caso da calianda fotografada por Odecio Visintin Rossafa Garcia. A flor dessa planta parece ser um novo coronavírus no Cerrado brasileiro, mais especificamente no Vale do Rio São Bartolomeu, no DF, porque o nosso olhar está observando o nosso arredor de maneira distinta.

A planta chega a 4 metros de altura e tem folhas perenes. As flores aparecem na primavera e no verão e recebem, além de caliandra, diversos nomes, como flor-do-cerrado, arbusto-chama, diadema, esponjinha, esponjinha-sangue, esponjinha-vermelha, mandararé e topete-de-pavão.

As folhas, muito delicadas, se fecham à noite. Em um futuro próximo, os coronavírus, devido à ação de uma vacina, também vão se recolher – e apenas as flores conquistarão o espaço. Assim, nós, seres humanos, livres do confinamento, poderemos aproveitar o contato com a beleza da natureza, sem nos preocupar com o seu formato e com aquilo que ela pode lembrar...

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br