
O tempo, sempre o tempo... Suas três dimensões conhecidas, passado, presente e futuro, estão a nos assombrar a cada instante. Não há como se libertar delas. Integram nosso cotidiano até porque o presente escapa de nossas mãos como areia na praia, e o futuro é incerto por mais que busquemos torná-lo previsível.
“Longe da Pandemia”, pintado com óleo sobre tela por Henry Vitor, gera essa reflexão porque é impossível saber o tempo em que se localiza a cena. E isso a torna mais fascinante neste momento histórico em que vivemos. Afinal, qual tempo o artista está pintando? Seria um tempo atemporal? Eterno?
Pode ser o tempo de um passado rural perdido em que a pandemia não existia; ou um tempo presente, em algum local em que a doença não chegou; ou, ainda, um tempo futuro ao qual desejamos todos ir quando a ciência conseguir encontrar a cura e a vacina conta a COVID-19. Ou talvez seja simplesmente outra dimensão para a qual somente a arte consegue apontar.
Nesse sentido, o requintado fazer de Henry Vitor tem a capacidade de nos retirar deste mundo. O cuidado com os detalhes, a composição esmerada e os jogos de cores e tonalidades contribuem para a construção visual de um paraíso idílico que pode estar nas três dimensões que conhecemos – mas talvez numa quarta, quinta, sexta... Quem sabe?
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br