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Arte em tempo de coronavírus (240)

Arte em tempo de coronavírus (240)
28/05/2020

Quando se pensa na elação de cada um de nós com o mundo, é impossível esquecer que estamos entrando no reino da subjetividade, um universo de sentimentos em que a única lógica possível é a da humildade de perceber que as diferenças existentes entre cada um de nós é o que nos torna iguais enquanto seres humanos.

A obra que acompanha este post, que chamarei de “Grito”, de Marlene Trouva, gera em quem a contempla justamente uma percepção de mundo caracterizada por tons rebaixados e uma composição em que formas são sugeridas por um diálogo entre áreas que gera uma misteriosa atmosfera para a percepção dos sentidos.

O que se observa não é uma alusão direta ao novo coronavírus, à COVID-19 ou à pandemia, mas um sentimento individual do atual momento. A mágica artística está em transformar esse sentir individual em uma percepção coletiva. Atingir esse patamar não é simples. Demanda conectar-se com o todo de maneira sutil, mas, ao mesmo, intensa e contundente.

Atingir esse nível de concepção plástica é uma busca que move todo criador, seja nas artes visuais ou em outras modalidades. Levar a própria dor para fora de si, de modo que chegue ao todo de uma sociedade significa mergulhar com tanta densidade no próprio silêncio, que ele se torna um grito universal, não o que faz doer a garganta, mas o que congela as almas.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br