
A arte está muito na capacidade de cada um de nós olhar para o seu redor o ver de outro jeito. A palavra ressignificação, muito utilizada atualmente, aponta para esse poder mágico e tão bonito de dar a objetos ou palavras novos sentidos, recolocando-os perante o mundo de maneira criativa e/ou surpreendente.
Quando se iniciou todo esse processo da pandemia, Patricia Amato realizou uma obra que foi ganhando novas conotações com o passar do tempo. Intitulada "Há Remédio Para Tudo", é uma escultura de parede em papel, em que embalagens de remédios surgem como protagonistas.
Em um primeiro momento, pensamos justamente em novos sentidos desses materiais, já que eles deixaram a sua função original de proteger os medicamentos para se tornarem um objeto que faz refletir e que ocupa plasticamente espaço em uma parede de escritório, sala ou museu. Cada caixa se torna outro elemento – e começamos a reparar em suas cores e formas.
Para enfrentar a pandemia, a medicina busca respostas. Hoje existem ações contra as consequências da doença, mas a causa da COVID-19 permanece sem cura confiável, à espera da vacina. Quando vemos um novo coronavírus na obra de Patricia Amato, cresce a certeza de que essa mesma capacidade criativa, só que na ciência, encontrará o remédio necessário.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br