
O isolamento social como forma de prevenção à COVID-19 alterou o cotidiano de todos nós. O confinamento e o uso de máscaras são as duas estratégias que se mostraram mais relevantes para impedir um maior número de infectados e de mortes, mas esse afastamento uns dos outros traz m ônus psicológico elevado.
A saúde mental pode ser afetada se não houver uma conscientização de que estar fisicamente longe não significa ficar em uma ilha de silêncio. O contato pode ocorrer de muitas outras maneiras, principalmente na atual sociedade tecnológica, que dispõe de recursos como vídeos, celular e computador.
Na obra “As duas vizinhas”, de Dani Vitório, vemos justamente as protagonistas, cada uma em sua janela, olhando para fora. As presenças das árvores, das flores e do céu apontam que a natureza continua à nossa espera e pronta a nos receber assim que as medidas de flexibilização puderem ser implementadas.
O olhar passa então a ter hoje um papel fundamental nesse novo processo de comunicação que se instaura com o uso das máscaras. Para que cada um passe melhor por este período, torna-se essencial que novas formas de comunicação sejam paulatinamente desenvolvidas. Assim, é possível estar mais longe dos outros, mas não necessariamente mais distantes.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br