textos

diárias de bordo

Arte em tempo de coronavírus (233)

Arte em tempo de coronavírus (233)
27/05/2020

Estar confinado é como estar em uma gaiola. Muitas pessoas que nunca tinham sequer pensado como se sente um passarinho preso ou um animal em um zoológico começaram a ter essa percepção de mundo. E nem estou me referindo tanto ao aspecto emocional e psicológico, mas sim ao estar cerceado fisicamente do ato de ir e vir.

Tudo ocorre em um contexto em que as máscaras e o isolamento social são as principais recomendações para enfrentar uma pandemia contra a qual não existem ainda medicamentos seguros ou vacina. Marinilda Boulay, em sua obra “Era uma vez um pássaro que cantava: quando acabar a epidemia saímos juntos daqui?”, traz essas reflexões.

Realizado com tinta acrílica sobre papel schleiper, o trabalho traz as forças complementares do sol e da lua como indicativos de que o ser humano, neste momento de crise, pode caminhar para a complementariedade. Atravessar com maturidade este momento pode levar a natureza (o pássaro) e o ser humano a percorrerem juntos a sua jornada existencial.

A gaiola está pendurada em uma bela árvore. Parece ser justamente o vigor da natureza que funciona como uma luz a indicar caminhos. Quando os seres humanos reencontrarem a sua luminosidade interna, poderão vislumbrar a sua felicidade, seja dentro ou fora da gaiola. Torcemos para que seja nos dois âmbitos, o mais rápido possível – e com segurança.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br