
Causada pela COVID-19, a pandemia vem levando as pessoas a repensarem as suas relações com si mesmas e com o mundo. Uma dessas esferas é a capacidade de se religar, de se reconectar com valores internos e coletivos. A religião passa – e muito – por essa discussão. E a arte tem ligações profundas com diversas manifestações religiosas.
Mineira de Belo Horizonte, radicada em Campo Grande, MS, Patricia Helney nos traz um Jesus crucificado com um grupo de fieis rezando. A obra se divide em dois blocos de ampla riqueza simbólica. Na parte superior, em meio a um azul celeste, rodeado de uma aura dourada, está Cristo. Chama a atenção o conjunto de 12 pombas, divididas em três grupos de quatro.
A ave está ligada ao Espírito Santo. O 12 aponta para os 12 Apóstolos, as 12 Tribos de Israel a carta XII do Tarô, o Enforcado. Multiplicação dos quatro elementos (terra, ar, água e fogo) ou dos quatro postos cardeais (N, S, L e O) pelos três níveis de vida (divino, terreno e dos mortos) ou pela Santíssima Trindade (Pai, Filho, Espírito Santo), o número é sagrado por excelência.
Na parte inferior, temos um gruo de fieis usando máscaras ajoelhados. Vale destacar as pernas alongadas de duas figuras da direita para auxiliar no equilíbrio da composição. Como um todo, merecem ainda destaque no quadro os olhos de Cristo, de frente para o observador da obra, como a dizer que Ele entende as dores dos humanos – e está com todos nós...
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br