
Será que, de fato, a atual crise oriunda da pandemia causada pela COVID-19 pode gerar um mundo melhor? Muitos têm essa esperança fortemente arraigada no sentido de uma transformação positiva ou mesmo de uma evolução da humanidade. Existem, porém, os que apresentam uma visão crítica do momento em que vivemos.
A obra “Invenção pra pegar rato”, realizada com tinta acrílica sobre papel por Wander Melo, de Rondonópolis, MT, é um exemplo de um questionamento de como a corrupção e a malversação de fundos públicos permanecem mesmo em tempos de dor e de luto. A máscara é a grande metáfora desse processo em que os políticos são vistos como ratos.
Ao utilizarem inadequadamente o dinheiro público, dirigentes não pensariam na comunidade, mas em si mesmos, deixando de lado o coletivo pela ganância individual. Se cobrir o rosto previne o contágio da doença, também esconde identidades, o que é positivo para quem deseja permanecer na ilegalidade.
Destaca-se na obra a inserção de diversos elementos em uma narrativa que traz uma potente mensagem contra a corrupção: ratos como símbolo do mal, máscaras em sua ambiguidade de proteger/esconder, coronavírus, dinheiro e a bandeira nacional. Que a obra colabore para que os ratos do poder cedam seu espaço a uma sociedade mais saudável em todos os sentidos.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br