
Acreana de Taraucá, radicada em João Pessoa, PB, Lu Maia tem na questão indígena uma de suas preocupações existenciais e visuais. Ela não poderia ficar silenciosa perante as dificuldades da população indígena brasileira no enfrentamento da pandemia causada pela COVD-19.
O trabalho "Genocídio indígena" traz em primeiro plano um cacique em uma aldeia vazia. A figura central funciona como um ícone do país, com a máscara facial verde, cocar amarelo e azul e colar branco, cores nacionais, além de uma tatuagem corporal, própria dos guerreiros. E a batalha não será fácil contra um inimigo invisível que chega às tribos de diversas maneiras.
Se não bastassem os numerosos problemas de infraestrutura que as populações indígenas vêm enfrentando historicamente, a presente pandemia trouxe novas questões de saúde pública. A posição visual ereta e altiva do líder sobrevivente funciona como um alerta da possibilidade de resistência e de resiliência.
Se a resiliência, na física, é a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica; na psicologia, é considerada a capacidade de se recobrar ou se adaptar a mudanças. Nesse sentido, o presente quadro de Lu Maia aponta para a capacidade da cultura indígena de, apesar de tudo, renascer sempre.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br