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Arte em tempo de coronavírus (220)

Arte em tempo de coronavírus (220)
23/05/2020

Perante uma realidade inesperada e devastadora como a da pandemia causada pela COVID-19, a reação dos artistas plásticos é das mais diversas. Existem aquelas manifestações próximas ao desespero, que veem este momento como uma espécie de fim do mundo. No outro extremo, surgem interpretações plenas de otimismo no sentido de que a humanidade renascerá melhor.

Nascido em Natal, RN, e radicado em João Pessoa, PB, o índio Guariguazi Tavares, em “Homens e mulheres bolhas”, traz uma visão realista e poética do atual momento. O fato de pessoas de todas as cores aparecerem com máscaras aponta para o poder do novo coronavírus de atingir igualmente à sociedade, sendo, porém, mais devastadora nas camadas mais vulneráveis.

A ideia de bolha é plástica e simbolicamente muito rica. A concepção de que as pessoas necessitam se isolar para não se contaminarem e para não transmitirem a doença gera, como bem mostra a imagem, uma espécie de triste manada de seres solitários com consequências imprevisíveis.

A imagem do artista consegue apontar para o que muitos chamam de “novo normal”, ou seja, uma realidade em que as pessoas, em função da necessidade do isolamento social, conviverão juntas, mas estarão separadas, não apenas pelo uso de uma proteção facial, mas pelo receio de terem maior interação entre si. Será essa a atmosfera da nova realidade que nos espera?

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br