
Historicamente a arte teve sempre a capacidade de retratar a dor humana em diversas situações, mas também tem o poder mágico de ratar da esperança. Uma imagem pode tratar de um momento presente e apontar para um amanhã que as pessoas possam visualizar, física e mentalmente, para se agarrar e caminhar nessa direção.
Paulistana, radicada na Bahia, desde novembro de 2019, a artista Maria Carlini, que trabalha com tintas, linhas e lãs, mora com o filho em Roviano, região do Lácio, província de Roma, Itália, com retorno previsto para julho de 2020. Vivenciou assim de perto o sofrimento local com a COVID-19. É nessa atmosfera de luto e medo que realizou a obra “Fios de Esperança”.
Na obra, destaca-se o pássaro, que simboliza a possibilidade de escapar de uma realidade em que o desespero é imenso perante um inimigo invisível. A artista tingiu o bordado com chá de cascas de cebola, já que existe a tradição que esse alimento protege do mal. O vegetal era inclusive tradicionalmente colocado nas janelas das casas para afastar as doenças.
A cebola também está associada ao fato de fazer chorar devido aos gases que libera quando é cortada. Portanto, seja pelo seu impacto visual, com a presença de uma tessitura intensa ou pelas soluções técnicas utilizadas, a imagem, perante a doença e a dor, do pássaro traz a esperança que conforta. Os fios que segura no bico nos fazem acreditar em um novo amanhã.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br