
Com o confinamento como forma de buscar diminuir a expansão da COVID-19, as pessoas começaram a se aproximar mais das janelas e também a se olhar mais nos espelhos. E esse processo não significa necessariamente encontrar aquilo que se deseja ver. Esse desconforto e até não reconhecimento pode gerar climas internos depressivos.
A arte digital “Estamos Todos num caleidoscópio!”, de Sandra Huang, remete a esses brinquedos cilíndricos, criados em 1816 pelo inglês David Brewster, que, devido ao fundo revestido com espelhos e pequenos pedaços de vidros coloridos, ao serem girados, criam múltiplos efeitos visuais.
Existe no caleidoscópio a ciência da reflexão, enquanto fenômeno óptico, e da arte da visualidade. Imagens como a que Sandra sugere, que remetem justamente a esse universo lúdico, são um convite, por exemplo, para meditar, já que o princípio do caleidoscópio se aproxima do da mandala, no sentido propiciar serenidade e quietude da alma e do corpo.
Se cada um observar a imagem da artista como um espelho de si mesmo, pode encontrar ali uma ordenação pessoal do mundo. A contemplação demanda justamente a observação atenta, concentrada, com foco. Isso faz com que gradualmente esqueçamos do mundo e de nós mesmos numa plácida jornada interior. Que assim seja...
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br