


Há um aspecto da quarentena imposta como medida de combate à disseminação do novo coronavírus que poucas vezes é tocado em seu valor simbólico. As tradicionais Festas do Divino Espírito Santo, que estão entre as mais antigas manifestações do catolicismo popular, vem sendo adiadas.
Além disso, a célebre Procissão do Fogaréu, realizada anualmente em algumas cidades, principalmente em Goiás, GO, na madrugada da quinta-feira santa, com a encenação da prisão de Cristo, com a iluminação pública apagada e ao som de tambores, ganhou novas características de isolamento social.
Quem não se lembra da indumentária dos Farricocos, caracterizada por uma túnica comprida de cores variadas e por um longo capuz cônico e pontiagudo? Trata-se de um traje de origem medieval, utilizado por penitentes que assim podiam expiar seus pecados sem ter que revelar a sua identidade. E tem ainda as cavalhadas, entre outras festas populares...
Nada disso ocorreu como costumava. Na quarentena, a mineira Helena Vasconcelos, radicada em Goiânia, GO, pintou obras sobre esses temas que integram seu imaginário visual. Com a convicção de que as festas voltarão a expressar fé e felicidade, desenvolveu, em seu colorido estilo, imagens que evocam técnicas de mosaico e apresentam intenso amor à vida.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br