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Arte em tempo de coronavírus (203)

Arte em tempo de coronavírus (203)
19/05/2020

A arte de bordar tem várias magias que lhe são próprias. O ato de lidar com uma linha pode ser interpretado como uma das maneiras mais poéticas de construir a própria existência, traçando os andares da vida. E essa metáfora, no momento atual de pandemia, ganha ainda mais delicadeza, pois estamos lidando com o inesperado.

A linha do destino pode ir por caminhos desconhecidos. Geralmente isso acontece, ainda mais agora. Com o confinamento e o medo onipresentes na sociedade, a ideia de bordar a própria existência e a alheia é, mais do que nunca, mais que uma figura de linguagem. Trata-se de uma prática cotidiana plenamente integrada aos desafios da arte conceitual contemporânea.

Esta imagem de Parísina Éris Ilíade Tameirão Ribeiro, professora de Artes e artista visual em Diamantina, MG, ilustra bem um fazer do bordar, que acredita na fé e na esperança, e uma mente nas lembranças das festas populares, muitas já adiadas pelo novo coronavírus. Poucas manifestações estéticas são mais poéticas do que esse diálogo entre os tempos.

A bordadeira – de máscara, ouvindo a televisão com as notícias sobre a pandemia, com o microrganismo à espreita – resume este momento em que o corpo espera a vacina e medicamentos que apresentem bons resultados, enquanto a mente encontra no passado uma lírica base afetiva que pode permitir a reconstrução de um futuro.  

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br