
Não há dúvidas de que 2020 é um ano que já ficou para a história. E tende a prosseguir a sua jornada de enfermos, falecidos e recuperações. Para muitos, como para o artista Romário Batista, era um ano de promessas e de esperanças de realizações no aspecto cultural e social. Mas tudo mudou com o novo coronavírus...
O presente trabalho integra a série “Basquiando”, homenagem a Jean-Michel Basquiat (1960 - 1988), um dos marcos da arte nova-iorquina com a sua linguagem que migrou do grafite para o chamado neoexpressionismo, repleto de cor e pinceladas gestuais. Artista multidisciplinar, escultor e pintor, Batista transita com energia entre a arte popular e a contemporânea.
A série, que se iniciou em 2019, utiliza papelão, madeira e tecido, dando ao que a maioria das pessoas julga descartável uma ressignificação plástica. Neste trabalho, feito em látex sobre tela, intitulado “2020 o ano que eu te dei”, o criador mantém as suas principais quatro cores: preto e branco (“protagonistas”) e vermelho e amarelo (“coadjuvantes”).
A atmosfera é de incerteza, medo e solidão. Sob o signo de Basquiat, o significa expressar sentimentos de maneira visceral, Romário Batista apresenta imagens do microrganismo e de pessoas com máscara num universo visual que transmite as dificuldades de 2020, um ano que, para muitos, ainda não começou – e que a maioria parece querer esquecer para sempre...
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br