
Mineiro de Montes Claros, radicado em Belo Horizonte, Willi de Carvalho lida com diversos materiais do cotidiano, como caixas de fósforos, palitos e fitas. Ao enfrentar o desafio tridimensional de lidar com o coronavírus, o seu caminho é de uma construção plástica em que utiliza suas matérias-primas habituais para atingir elementos simbólicos.
O resultado final é uma imagem de elevado impacto, aterrorizadora no sentido de ser uma divindade maléfica a atingir os seres humanos. Sobre a cabeça desse ser todo-poderoso, temos uma coroa que é o próprio microrganismo em vermelho. Seu rosto é uma máscara mortuária, e o tronco constitui um esqueleto, numa associação clara com a morte.
A capa vermelha, por sua vez, traz à mente todo o imaginário que envolve o Conde Drácula, faminto por sangue humano para viver. O corpo, repleto de escamas douradas (cor associada ao poderoso ouro) possui a mesma característica assexuada e mortal das sereias, que devoram os pescadores. O implacável monarca está ainda sobre um planeta Terra repleto de cruzes.
Ele ainda porta um cajado com um morcego na ponta, alusão ao fato de o coronavírus que aflige a humanidade ser, conforme estudo da Universidade Biomédica de Roma publicado no Journal of Clinical Virology uma mutação que permitiu a um vírus típico de animais, em particular de morcegos, tornar-se capaz de atacar o homem. Quanto poder, não?
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br