
Perante os desafios de uma pandemia, a ciência é a resposta mais racional. Cabe a ela desenvolver vacinas e pesquisar quais tratamentos são os melhores para que as pessoas infectadas possam se recuperar. Mas a religião, no sentido de religar cada pessoa com a essência do coletivo e consigo mesma, possui também um papel social e individual importante.
Nascida e radicada em Morungaba, SP, Alice Masiero traz, com uma linguagem colorida e densa, a representação do Orixá conhecido como Omolu, Omulu, Obaluaê ou Obaluaiê, responsável pela terra, pelo fogo e pela morte. Temido pelos seus poderes, conhece todos os segredos humanos e rege a terra, de onde tudo nasce para onde tudo volta.
Por tudo saber, principalmente as dores de cada um de nós, Omolu caminha curvado. Esse sofrimento o leva a proteger os doentes pobres e a curá-los. Ele pode gerar epidemias, mas também afastá-las. Seu poder é tanto, que ele não pode ser visualizado pelos mortais. A roupa de palha que lhe cobre o corpo impede que seu brilho divino, intenso e solar nos destrua.
A imagem de Alice Masiero, que inclui máscaras e corpos nus em uma atmosfera harmoniosa, enfatiza o papel desse orixá como senhor dos espíritos, mediador entre o mundo material (vivos) e espiritual (mortos). Por conhecer todas as dores e tristezas, Omolu ensina que, para superar adversidades, é preciso ter coragem e vontade de viver.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br