

Criar é um transformar. O artista interpreta o mundo e dá ao que se considera real uma nova formatação. Nesse processo, ele também vai se alterando por dentro. E esses dois movimentos, o de enxergar o universo ao seu entorno e também as suas galáxias interiores, propiciam uma metamorfose permanente.
Uma maneira de ver esse processo ocorrendo é a transformação de um esboço em trabalho. Tudo parte de algum conceito, muitas vezes transformado em desenho sobre papel para posterior finalização nessa mesma técnica ou, no presente caso, no trabalho intitulado “A quem interessa?”, de Ana Maria Bauer, em tinta acrílica sobre um papel de melhor qualidade.
Cada elemento da obra tem a sua função. Há quem tritura (Quem é? O que pretende?), a máquina trituradora (Quem a fez? Pensou que seria usada dessa maneira?), o que é triturado (Como surgiu? Pode ser destruído?), o que sai (Como ocorre a mudança? É possível nova transformação) e para onde vai (Quanto sabemos do processo? Há como alterar?).
Todos esses elementos se articulam visualmente desde o seu nascimento até a versão final. O que ocorre é uma caminhada que permite, de maneira bem menos explicável do que muitos gostariam, como a ideia se transforma em ação – e como esse fazer se concretiza em obra, que, por sua vez, gera múltiplas interpretações. Assim é a arte!
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br