
Corpo e espírito são muitas vezes tratados como dois seres distantes, quase antagônicos, mas, em momentos cruciais da história da humanidade, parece ser possível uma integração que leve à construção de uma unidade em que o individual e o coletivo possam também se integrar em busca de bens maiores.
A obra “Retrato da artista quando jovem com máscara, na Ilha do Bananal. Território: nosso corpo, nosso espírito”, de Marinilda Boulay, artista radicada em Socorro, SP, que realiza, com Rosângela Politano, a BÏNaif - Bienal Internacional de Arte Naif -Totem Cor-Ação, é um exemplo disso. A atmosfera idílica do trabalho reforça a possibilidade de uma vida melhor.
Realizada em tinta acrílica sobre tela, com a máscara em papel vegetal colada ao suporte, alude, desde o título, ao fazer artístico. Há ali uma referência a “Retrato do artista quando Jovem” (1916), primeiro romance de James Joyce, que enfoca a infância e adolescência de seu alter ego, o personagem Stephen Dedalus, narrando a sua passagem para a vida adulta.
Nesse contexto, a Ilha do Bananal, a maior fluvial do mundo, localizada no Estado de Tocantins, é muito mais que uma Reserva da Biosfera reconhecida pela UNESCO desde 1993. Trata-se da representação simbólica e visual, pelo equilíbrio das formas e harmonia das cores, de um paraíso terreno que está fora e dentro de nós, a ser redescoberto e reabitado.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br