

E não é que o nosso mundo virou de ponta-cabeça? Por mais estranha que fosse a vida de cada um, havia uma certa rotina na qual cada um se ajustava, à sua maneira, com suas felicidades e infelicidades, acertos e desacertos e, é claro, as dificuldades financeiras, sociais, culturais e existenciais.
Com o novo coronavírus, a COVID-19 e a pandemia, esse universo conhecido de cada um se tornou uma incerteza permanente. Não só o presente foi alterado, mas há inseguranças profundas em relação a uma nova ordem a ser instaurada. O desafio é prático, em termos de sobrevivência financeira, mas também psicológica, quanto à saúde mental.
O trabalho em acrílica sobre madeira de Lenin (@leninartes) que ilustra este post permite justamente duas leituras. De um lado, é “Mistério de Frida”; do outro, "Fera e Flores". O significativo é que ambos se complementam. Torna-se então impossível não pensar na tradicional relação entre o grotesco (o minotauro, o monstro) e o sedutor (a mulher, a arte).
E o que há em meio a tudo isso? A turbulência da região central da obra aponta para essas ambiguidades e ambivalências. A violência do irracional tem seu contraponto na delicadeza das flores; e os segredos da criação que rondam mitos, como Frida Kahlo, em sua jornada existencial de dores e cores, apontam para as múltiplas sem respostas que a arte oferece.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br