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Arte em tempo de coronavírus (189)

Arte em tempo de coronavírus (189)
16/05/2020

Talvez existam poucas manifestações humanas tão misteriosas como o processo de criação artística. Fernando Ribeiro, por exemplo, vivenciando a quarentena, em Brasília, DF, realizou a escultura em sucata intitulada “2020” em oito horas. O processo, desde o desenho da peça com caneta esferográfica à peça terminada é mostrado em filme compactado de 1m48s.

É possível assistir a esse compacto criativo em @feribeiro, mas o que mais impressiona é a comparação entre o desenho e a escultura. A passagem do conceito à construção da escultura, realizada com sobras recuperadas de ferro unidas com solda elétrica, aponta que a mente é capaz de tudo.

A peça, semelhante à forma do coronavírus, seguramente servirá como documento visual deste período em que um ser microscópico transformou a vida da humanidade. Olhando para ela, adquire-se a convicção de que a capacidade humana de fazer um trabalho visual em tão pouco tempo será em breve suficiente para descobrir a almejada vacina contra a COVID-19.

As atividades do cientista e do artista, se diversas no rigor, são semelhantes no poder de superar desafios e de encontrar respostas. Fernando Ribeiro, com a sua obra, nos lança esse alerta, uma espécie de boia salva-vidas ao espírito, um libelo contundente de tudo o que o nosso cérebro pode fazer se orientado para o benefício do conjunto da humanidade.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br