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Arte em tempo de coronavírus (187)

Arte em tempo de coronavírus (187)
Arte em tempo de coronavírus (187)
Arte em tempo de coronavírus (187)
Arte em tempo de coronavírus (187)
Arte em tempo de coronavírus (187)
16/05/2020

As reações artísticas ao período de quarentena imposto pela COVID-19, causada pelo coronavírus, são muito variadas. Cada criador visual reage de uma maneira e, muitas vezes, desenvolve, no período, diversas manifestações diferentes, sendo algumas mais próximas ao tema e outras aparentemente mais distantes.

Arivanio Alves, de Quixelô, CE, vem trabalhando em uma série de flores em vasos. É rico pensar as conotações dessas criações, pois seus diversos elementos apontam para uma diversidade de interpretações, que vão da exaltação à vida ao receio da morte, sentimentos expressos com o uso de um colorido mais intenso ou de tonalidades mais rebaixadas.

As suas imagens remetem ao gênero conhecido como natureza-morta. Existente desde a Grécia e com manifestações em Pompeia, é uma prática consagrada que geralmente representa objetos convencionalmente considerados inanimados, que incluem frutas, louças, instrumentos musicais, flores, livros, taças de vidro, garrafas, jarras de metal ou porcelanas.

A denominação atual provém da Holanda do século XVII e teria surgido com a realização de inventários de obras de arte. Arivanio pinta a vida das flores, órgão de reprodução das plantas, mas elas estão presas em vasos, ou seja, de certa maneira, confinadas. Mas, enquanto assim elas se aproximam da morte, o nosso confinamento pode nos garantir a vida.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br