




As reações artísticas ao período de quarentena imposto pela COVID-19, causada pelo coronavírus, são muito variadas. Cada criador visual reage de uma maneira e, muitas vezes, desenvolve, no período, diversas manifestações diferentes, sendo algumas mais próximas ao tema e outras aparentemente mais distantes.
Arivanio Alves, de Quixelô, CE, vem trabalhando em uma série de flores em vasos. É rico pensar as conotações dessas criações, pois seus diversos elementos apontam para uma diversidade de interpretações, que vão da exaltação à vida ao receio da morte, sentimentos expressos com o uso de um colorido mais intenso ou de tonalidades mais rebaixadas.
As suas imagens remetem ao gênero conhecido como natureza-morta. Existente desde a Grécia e com manifestações em Pompeia, é uma prática consagrada que geralmente representa objetos convencionalmente considerados inanimados, que incluem frutas, louças, instrumentos musicais, flores, livros, taças de vidro, garrafas, jarras de metal ou porcelanas.
A denominação atual provém da Holanda do século XVII e teria surgido com a realização de inventários de obras de arte. Arivanio pinta a vida das flores, órgão de reprodução das plantas, mas elas estão presas em vasos, ou seja, de certa maneira, confinadas. Mas, enquanto assim elas se aproximam da morte, o nosso confinamento pode nos garantir a vida.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br