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Arte em tempo de coronavírus (183)

Arte em tempo de coronavírus (183)
15/05/2020

Uma pandemia com a força da COVID-19 tem o poder de alterar diversos elementos do nosso cotidiano. Mudou, por exemplo, a maneira que as pessoas olham umas para as outras. E não é apenas pelo uso de máscara, mas pelo medo da contaminação. O isolamento social protege, mas também separa.

E se trata de uma necessidade imperiosa em um momento em que, sem vacina ou remédios com bons resultados, a prevenção é tudo. O ícone a ser combatido, nesse contexto, tem uma imagem visual soberana. Divulgada por todas as mídias, a representação do novo coronavírus tornou-se uma onipresença poderosa.

Médica e fotógrafa, Floriana Bertini encontrou uma flor, para a qual seguramente já tinha olhado outras vezes, e encontrou ali a semelhança com o microrganismo. Mas a flor, em si, é sinal de vida. A sua função é produzir sementes, ou seja, a sua existência é uma marca de que a vida segue o seu curso por mais difícil que isso seja.

O olhar conduz a caminhada. Um formato de flor pode agora ser o de um vírus desconhecido até há pouco tempo. Mas, em sua essência, a flor continuará lá, se reproduzindo e dando esperança. Com a vacina que certamente virá, a flor que Floriana viu voltará a ser apenas uma flor e, com a sua presença, seguirá seu curso para deleite da humanidade.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br