
A pandemia trouxe uma valorização mais do que merecida de algumas categorias profissionais, principalmente os da área da saúde. O fato de já trabalharem em condições difíceis há algum tempo foi maximizado perante uma doença que vem desnudando o precário sistema de saúde em escala nacional, excetuando certos núcleos de excelência.
"Medico, mártir da Covid 19", iluminura da artista baiana Cecília Menezes que homenageou, no Dia do Trabalho (1/5/2020) os médicos contaminados e mortos pelo coronavirus contraída enquanto prestavam serviço aos pacientes nos hospitais, constitui uma manifestação visual de uma gratidão eterna.
Os ornamentos em torno do trabalho, que remetem ao barroco, são os elementos decorativos que fazem ressaltar a figura central, que surge paramentado com roupa de segurança e traz à mente imagens de ficção científica e de viagens espaciais. Para enfrentar o letal microrganismo é necessário todo cuidado e também muita fé.
Se a folha de palmeira, utilizada pelo povo para receber triunfalmente Jesus em Jerusalém, está ligada à representação do renascimento dos mártires, o oxigênio está associado a um bem essencial para a vida. Assim, os heróis homenageados por Cecilia Menezes realizam, em sua luta contra o coronavírus, uma jornada terrena e divina pelo bem da humanidade.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Coordena o projeto @arteemtempodecoronavirus e é responsável pelo site www.oscardambrosio.com.br